Expositores de todos os cantos do Brasil e do exterior já estão na Feicoop

Uruguaios trouxeram suas bandeiras para a Feicoop. Foto Maiquel Rosauro


Uma invasão de sotaques tomou conta da 25ª Feira Internacional do Cooperativismo (Feicoop) desde as primeiras horas da manhã de quinta-feira (12). Expositores de todo o Brasil e também do exterior já estão em Santa Maria.

Do Uruguai vieram 19 expositores, que logo no início da manhã começaram a montar seus estandes.

“Esta é a primeira vez que participo da Feira. A nossa expectativa é de que seja um grande evento”, argumenta Graciele Escudeiro, de Montevidéu.

No estande de Graciele há diversos produtos para o inverno, todos produzidos com lã. Destaque também para anéis e colares.

Já Lianete Carvalho, Abilene Brito, Maria de Lourdes Leite atravessaram o Brasil de Norte a Sul para participar da Feicoop. Elas vieram do Estado do Pará.

“Eu estou vindo pela primeira vez. Mas nosso grupo participa da Feira há mais de 20 anos”, relata Lianete, que está representando o Grupo de Mulheres Mão Preta, de Benevides-PA.

Destaque também para Abilene, coordenadora do Grupo Direito de Viver, da Comunidade Nova Canaã, de Barcarena-PA. Devido aos constantes impactos ambientais no município, terras, rios e igarapés ficaram improdutivos. Foi então que ela teve a ideia de investir em artesanato, iniciativa que prontamente ganhou adeptas da comunidade.

Hoje, o grupo é formado por 15 pessoas e também inclui o trabalho com crianças e adolescentes na aprendizagem social e pessoal. No estande das paraenses é possível encontrar sabão ecológico oriundo da Floresta Amazônica, guardanapos com pintura marajoara (oriunda da Ilha de Marajó) e pequenas bonecas perfumadas com raízes de patchouli.

“Estamos estranhando um pouco o frio. Em Belém nunca usaríamos estes casacos”, comenta Abilene sobre o clima de Santa Maria.

O primeiro dia de Feira também foi marcado por grandes seminários. A Reunião Temática da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro e para o Controle do Tabaco (CONICQ) reuniu cerca de 70 pessoas no auditório do Colégio Irmão José Otão. Já a Assembleia Nacional dos Empreendimentos de Economia Solidária contou com 227 participantes, no Lonão Paul Singer, no Parque da Medianeira.

Também teve evento no Centro de Santa Maria, no Hotel Dom Rafael, onde a Cáritas Brasileira realizou o Seminário Nacional de Integração de Cooperação Solidária. Cerca de 70 pessoas de todas as regiões do Brasil participaram do encontro desenvolvido por Marcela Vieira e Fernando Zambam.

A Cáritas desenvolve o projeto “Coprodução de Soluções em Redes de Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável Territorial”, com 136 empreendimentos econômicos solidários de onze estados brasileiros: Paraná, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Maranhão, Bahia, Ceará, Pernambuco, Espírito Santo, Amazonas, São Paulo e Pará, mais o Distrito Federal.

“Apresentamos o projeto e realizamos um panorama de cada região. Temos as redes, mas a grande luta hoje é com os empreendimentos em função do desmonte que a Economia Solidária vem sofrendo”, explica Marcela.

A 25ª Feicoop ocorre no Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter, nos fundos do Parque da Medianeira. O evento teve início nesta quinta e segue até domingo (15). Nesta sexta, tem início a comercialização de produtos.

Veja aqui a programação oficial: https://claudemirpereira.com.br/cp2016/wp-content/uploads/2019/07/Programa%C3%A7%C3%A3o-Oficial-da-25%C2%AA-Feicoop.pdf

A Feira

A Feicoop é uma grande escola de organização, formação de convivência, do voluntariado e dos Movimentos Sociais e Economia Solidária. São 25 anos de construção coletiva e interativa. É um braço do Fórum Social Mundial que constrói um “Outro Mundo Possível” e uma “Outra Economia que já Acontece!”. A entrada é gratuita.

Tema desta edição

Construindo a sociedade do bem viver: por uma ética planetária

Horários de visitação

Quinta-feira (12) – Chegada das caravanas (não haverá comercialização neste dia)

Sexta-feira (13) – das 7h30min às 20h

Sábado (14) – 7h30min às 20h

Domingo (15) – 7h30min às 18h

Abertura Oficial

Sexta-feira (13), às 16h, no Palco da Feira (Parque da Medianeira)

Exposição

Serão expostos na Feira cerca de 10 mil produtos, entre agroindústria familiar, artesanato, alimentação, hortifrutigranjeiros, plantas ornamentais, serviços e produtos de povos indígenas.

Estimativa de público

Para esta edição, são esperadas 300 mil pessoas durante os quatro dias de evento. Ano passado, foram 255 mil visitantes oriundos de todos os estados brasileiros (mais de 500 municípios) e 20 países (África do Sul, Alemanha, Argentina, Brasil, Chile, China, Colômbia, Costa do Marfim, Cuba, Equador, Espanha, Hungria, Itália, México, Nicarágua, Paraguai, Peru, Portugal, Senegal e Uruguai).

Diferenciais do evento

Durante a Feicoop ocorrem práticas do comércio justo e consumo ético e solidário, trocas solidárias com moeda social e muitas atividades de formação e interação. Na Feira não há consumo de cigarros e a água não é comercializada durante o evento. A Economia Solidária entende que a água é um bem universal e um patrimônio da humanidade.

Refrigerantes também não são vendidos. Os produtos oferecidos na Feira são de procedência ecológica. A organização do evento trabalha com a teoria e a prática, articulando campo, cidade e as diferentes culturas e etnias.

Infraestrutura

A área total da Feicoop é superior a 20 mil m², incluindo os pavilhões do Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter, parte do Parque da Medianeira e o Colégio Irmão José Otão.

Organização

A Feicoop é organizada pelo Projeto Esperança/Cooesperança (da Arquidiocese de Santa Maria) e Prefeitura Municipal de Santa Maria, com apoio de Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Cáritas Brasileiras, entre outras instituições.

O que é Economia Solidária

É um jeito diferente de produzir, de comprar, de trocar, de vender, de consumir produtos, oferecer e receber crédito. O que move esta economia é o desejo de que não existam excluídos, que a riqueza produzida no trabalho seja partilhada e que todos tenham qualidade de vida.

A Economia Solidária é também uma estratégica de desenvolvimento sustentável que considera todas as dimensões (econômica, social, cultural, ambiental, política…).

 

 



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